Número de pacientes jovens internados em UTIs pela Covid-19 ja é maior que o de pessoas com mais de 40 anos

O que antes parecia improvável, aconteceu na pandemia de Covid-19 no Brasil.
Pela primeira vez a quantidade de pacientes mais jovens internados nas UTIs ultrapassou a de pessoas maiores de 40 anos.
No início da pandemia, leitos hospitalares eram ocupados principalmente por idosos com doenças pré-existentes, como diabetes, hipertensão entre outras.
Agora, pouco mais de um ano depois, a realidade é absolutamente diferente.
Um levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira confirma hoje, pacientes  mais jovens são maioria nas UTIs do país.
No mês de março, 52% das internações nas UTIs foram de pessoas com até 40 anos.
Este é o maior percentual registrado desde o início da pandemia, em março de 2020.
Entre setembro do ano passado e fevereiro desse ano, pacientes dessa faixa etária eram 44% dos internados nas UTIs.
“Os mais jovens ou por terem mais reserva cardíaca e respiratória melhor eles podem demorar mais para ter sintomas, então quando chegam ao hospital já estão em estado mais avançado das doenças”, diz Suzana Lobo, presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira.
Se a internação dos mais jovens cresce, a de idosos vem caindo. Apenas 7% dos pacientes com Covid nas UTIs em março tinham mais de 80 anos. Uma queda de 42% na comparação com o acumulado dos três meses anteriores.
A presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira lembra ainda, que a falta de oxigênio e de medicamentos em vários municípios brasileiros são sinais claros de que os hospitais já não conseguem atender a demanda de pacientes. E que a solução para a pandemia da Covid-19 está longe das UTIs.
“A principal medida é diminuir a transmissão respiratória do vírus na comunidade. Ou seja, aquelas medidas que a gente já conhece bem de distanciamento social e de restrição da mobilidade social naquelas áreas em que o sistema de saúde está saturado. Nós precisamos segurar a pandemia, a transmissão fora do hospital”, salienta Suzana Lobo.

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