Você, seu celular e o que resta

Os smartphones estão se tornando um prolongamento de cada indivíduo. Você pode até tentar negar e dizer mentalmente que não faz parte dessa multidão que parece não mais saber como levar um dia inteiro sem seu celular, mas quantas vezes você não bateu a mão em um dos bolsos, deu por falta do aparelho e sentiu aquele frio na barriga? Ou saiu sem o celular de casa e pensou seriamente em retornar pra não ter que passar o dia sem ele? Ou, pior, nenhuma vez sua bateria acabou, sua internet ficou limitada e em 30 minutos a solidão recaiu sobre você quase como um desastre?

A necessidade de carregar consigo um celular, e não somente um celular, mas um com acesso à internet está sendo tão avassaladora que em apenas três meses o número de usuários subiu de 58,6 milhões para 70 milhões, conforme pesquisa da Nielsen IBOPE. São mais de 10 milhões de pessoas em um trimestre e caso esse número pareça vago pra você é só pensar que a população do Acre não chega a 1 milhão!

Uma variedade de estudos são lançados constantemente a fim de analisar os danos que esse uso sem limites pode trazer a nós: dar uma olhadinha antes de dormir atrapalha seu cérebro, pois faz com que ele acredite que ainda não é hora de dormir e daí advêm dores de cabeça no dia seguinte; dores e tensões nos braços, nuca e ombros por manter durante tanto tempo a cabeça abaixada; síndrome do esgotamento, quando você não para de tirar e colocar o celular no bolso pra ver se recebeu alguma notificação. É, isso não te deixa relaxar.

Além disso tudo o fato mais importante é: estamos ficando solitários. Nossas relações estão perdendo a profundidade. Mantemos nossos melhores amigos enviando uma mensagem quando pensamos neles, estamos em grupos e mais grupos, recebemos quantidades absurdas de mensagens por dia, a cada momento estamos recebendo e filtrando informações de um jeito já quase robótico.

Precisamos dar uma pausa quando notamos aquela resposta automática pra alguém importante, quando procuramos incansavelmente por algo novo em alguma rede social ou quando esperamos ansiosamente por uma mensagem que não sabemos exatamente qual é.

E o que será disso tudo? Não dá pra saber ainda. Vamos ver o que vem por aí.

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