Só acontece o que vemos

Atentados, desastres, tragédias, humor, pessoas, informações, notícias, descobertas. A quantidade de informações a que temos acesso todos os dias provocou considerável mudança no modo que interpretamos os dados recebidos e desenvolvemos nossa curiosidade e capacidade crítica. A era da comunicação criou um universo midiático em que estamos inseridos e vivemos conforme seu movimento.

Nesse campo a exposição de qualquer fato é analisada como midiática ou não, para posteriormente chegar até nós. A mídia não tem a capacidade de nos dizer o que pensar, mas sobre o que pensar, utilizando-se da engenharia da comunicação, agenda setting e outros diversos recursos.

Sempre buscamos identificação com grupos, pessoas, comportamentos e tentamos ganhar posicionamento e reconhecimento social, uma necessidade natural do ser humano. Dessa forma a comunicação em massa nos abre um leque de assuntos que por inúmeros critérios foram divulgados e muitas vezes ficamos presos no espiral do silêncio, situação em que não se consegue refutar uma opinião por essa ser a da maioria.

Mesmo com a negação de que o telespectador é uma massa amorfa e sabendo que a recepção de uma mensagem passa por diversos filtros, notamos que a população é profundamente influenciada pela mídia. O que é notícia não é de maneira natural, torna-se notícia. Esse fenômeno pode ser observado com o acontecido em Paris e Mariana. Os atentados de Paris tiveram imensa cobertura e repercussão, enquanto o acontecido em Mariana não teve a mesma comoção por parte da mídia.

O local: Paris atrai olhares, é mundialmente conhecida, a Cidade Luz, requinte, cultura, internacionalidade, já Mariana não chega perto de ter tamanha notoriedade.

O acontecimento: os ataques em Paris possibilitam a criação de teorias, conspirações, menções a acontecimentos maiores e especulações.

O acesso: ataques como os ocorridos em Paris oferecem dados para divulgação rapidamente, imagens, depoimentos e cobertura por todas as mídias.

A questão: eventos como esses que abordamos sempre apontam para uma questão. Essa questão dá amplitude nas discussões em redes socais e outros meios, e é um dos pontos analisados a partir dos interesses midiáticos. Mariana apontava para a privatização e anti-privatização, enquanto Paris para o terrorismo e anti-terrorismo.

Considerando esses aspectos se faz necessário manter o senso crítico aguçado. Estamos na era das informações dinâmicas, porém rasas. Muitos compartilhamentos, pouco conhecimento.

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