Saiba tudo sobre a grave crise no Hospital Pimentas

Faltam medicamentos e insumos básicos para atender a população, que poderá ter o atendimento ainda mais prejudicado à partir de março

Sobre a matéria publicada na última segunda-feira (22), sobre a crise no Hospital Pimentas, em Guarulhos, o Jornal do Monotrilho, cumprindo seu papel de informar de forma isenta e correta, solicitou do poder municipal de Guarulhos, esclarecimentos acerca da questão.
Em resposta ao email enviado por nossa redação, a prefeitura de Guarulhos respondeu também por email:
” A Secretaria de Saúde não foi informada oficialmente sobre as denúncias da nota do Sindicato. Também desconhece que o Sindicato tenha formalizado as denúncias em algum órgão competente. A Secretaria trabalha para garantir o melhor atendimento possível no Hospital, não permitindo que a população fique desassistida. Existe um contrato em vigor com o IDGT, que neste momento responde pela operação daquela unidade hospitalar.”
Com essa resposta o Jornal do Monotrilho procurou o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), que através  de seu presidente, Augusto Ribeiro, nos concedeu uma entrevista para explicar o problema e esclarecer os fatos.

JM: Há quanto tempo existe a falta de medicamentos no hospital pimentas ?

Augusto Ribeiro:  Há um ano, desde quando a IDGT assumiu a direção do hospital, com períodos mais críticos, como dezembro 2020, janeiro e fevereiro de 2021

JM : Quais São os outros problemas que torna inviável a atuação dos médicos e residentes?

Augusto Ribeiro: Em um cenário de residência médica é necessário que se tenha experiências (contato com pacientes), assistência e infra instrutura e recursos humanos e tecnicos. No atual momento, há muitas experiências porem nao podem ser bem aproveitadas por falta de assistencia aos médicos residentes, pois a partir de março o hospital não contará mais com 90% de seu corpo clinico que pediu demissão pela falta de recursos para se trabalhar no hospital.

JM: O que o Senhor pode nos dizer sobre o pagamento dos Salário dos profissionais, estão em dia?

Augusto Ribeiro: Os salários estão atrasados (para os plantonistas da uti estão atrasados em 60 dias, recebendo em parcelas – dezembro foi pago em final de fevereiro). O salário dos medicos assistentes foi reduzido assim como de diversos outros profissionais a partir da entrada da IDGT.

JM: O Senhor pode informar quais são os medicamentos que estão em falta e que com isso, poderiam ter contribuído para a morte dos 5 pacientes?

Augusto Ribeiro: Medicamentos em falta que causaram morte dos pacientes: alteplase (trombolitico), ganciclovir (um paciente morreu sem e outro esperou internado por mais de 30 dias), furosemida endovenosa, propofol, midazolan, cisatracurio, rocuronio, bactrim endovenoso, vancomicina, tazocin, amiodarona endovenosa.

JM: Em relação a falta de médicos psiquiatras, qual é a alegação por parte da prefeitura e da empresa gestora do Hospital?

Augusto Ribeiro:  Não nos foi repassado nenhuma resposta por parte da IDGT sobre o pronto atendimento de psiquiatria (referência) sem psiquiatra. Somente nos foi imposto que a partir da segunda metade de dezembro os residentes evoluíssem os pacientes internados com diagnostico psiquiatrico na observação psiquiátrica.

JM: Há  quanto tempo o tomógrafo não funciona? Qual e a causa? Deram previsão para solução?

Augusto Ribeiro:  O tomografo está sem funcionar desde 15 de janeiro de 2021, sem previsão de conserto. Não nos informam qual é o problema, somente falam de forma inespecífica que falta uma peça. Sem nenhuma previsão.

JM: Qual o motivo da restrição de horário do atendimento no setor de Radiologia?

Augusto Ribeiro: Normalmente o aparelho que revela as chapas de radiografia é consertado no fim da tarde e quando é no inicio da manhã eles alegam que o aprelho quebrou de novo.

JM: O que o Senhor poder nos dizer sobre a resposta da prefeitura a nossa redação, alegando que não está ciente das denuncias, e  que o Sindicato até ontem não havia protolocado nenhum documento em nenhum orgão competente?

Augusto Ribeiro: Os ofícios foram enviados ontem. Mas já houve duas denúncias à Comissão Nacional de Residência Médica que passaram pela Comissão de Residência Médica local.

JM: Se o senhor quiser acrescentar mais alguma observação, fique a vontade e também, por favor faça suas considerações finais.

Augusto Ribeiro: Como considerações finais, quero dizer que o hospital não está em condições de prestar uma assistência digna aos pacientes, muito menos de ser um espaço para formação de médicos residentes. Se de fato esses médicos assistentes, que tem a função de preceptor para residência médica, de clínica médica, do hospital pimentas, saírem em março, ficará inviável a manutenção da residência no local.
A melhor opção para que elas não sejam prejudicados, é até elas sejam transferidos para outro programa de residência. No mais, é urgente que se restabeleça um corpo clínico suficiente para o atendimento dos pacientes no pimentas, e de que se restabeleça os insumos básicos para a manutenção do atendimento.
Os médicos tem o dever ético e o direito de não atuar em condições que eles entendam que não garantam uma condição mínima para realizar seu trabalho de atender a população dentro de padrões éticos e de respeito a integridade individual do paciente, além do respeito às condições e procedimentos médicos estabelecidos pela legislação, bem como dos protocolos de higiene e de prevenção, sobretudo em uma época de pandemia

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