Acidente de avião em Moscou deixou 41 mortos

Nos chocamos sempre que ocorre um acidente aeronáutico grave. Quando existem registrados em vídeo e com incêndio a bordo, então, nem se fala. Foi o que o mundo assistiu neste domingo (6) em Moscou.

Além do acidente em si, dois fatos me assustaram muito na tragédia registrada na pista de heremetyevo. Vou falar disso já. Antes, contudo, vejamos as informações técnicas oficiais disponíveis até agora.

O Sukhoi Superjet 100 da Aeroflot de matrícula RA 89098 decolou às 18h02 rumo a Murmansk com 73 pessoas a bordo. Logo depois ,ao atingir 10 mil pés (cerca de 3 mil metros), o piloto do jato de fabricação russa ativou o código transponder para indicar ao Controle de Tráfego que perdera a comunicação por rádio.

Com a anormalidade declarada, o Sukhoi retornou ao aeroporto 24 minutos depois para um pouso de emergência. Ao contrário de algumas informações divulgadas, não houve incêndio a bordo antes do pouso. O jato tocou na pista em alta velocidade e  ganhou altura novamente — o que, na aviação, chamamos de “bouncing”. O fogo só começou depois do segundo e definitivo contato com o asfalto.

A perda total de comunicação numa aeronave como essa é algo muito difícil de acontecer. Houve relatos de pane elétrica completa. Especialistas, no entanto, já questionam essa afirmação uma vez que a RAT (Ram Air Turbine) do Sukhoi não foi acionada.

A RAT é uma espécie de “ventilador” instalado em um compartimento fechado na parte da frente da fuselagem, conectado a um gerador elétrico ou a bomba hidráulica. Sempre que acionado, o compartimento é aberto e o “ventilador” fica pendurado. A passagem de ar gira a hélice, que gera energia suficiente para alimentar o avião eletricamente. É um princípio semelhante aos moinhos de vento que têm na água a força para mover as hélices e criar energia.

As duas situações que me intrigaram bastante nesse acidente foram, em primeiro lugar, a ausência da Brigada de Incêndio na pista, que teve quase meia hora para se posicionar para receber um avião que declarara emergência grave.

Foi agonizante perceber, nas imagens, que não havia uma viatura sequer de prontidão para minimizar os efeitos do fogo iniciado no pouso. Entre os três grandes aeroportos da cidade de Moscou, Sheremetyevo é simplismente o maior deles em termos de estrutura e opera para mais de 200 destinos. Estive na capital russa há menos de um ano e comprovei o intenso tráfego em moscou. Não à toa, a cidade tem três grandes terminais. Eu classificaria como decepcionante e até criminosa a demora dos bombeiros.

Outro fato absurdo foi revelado pelas imagens feitas no interior da cabine, por celulares: passageiros preocupados em retirar a bagagem de mão durante um incêndio a bordo. Normas como manter a poltrona na posição vertical, colocar bolsas e mochilas embaixo das poltronas e deixar desobstruídas as saídas de emergência servem justamente para acelerar a evacuação da aeronave em situações de emergência.

Pelo menos 41 pessoas morreram nesse acidente. O trabalho dos investigadores trará as causas prováveis da pane no avião. Independente de quais sejam, é preciso descobrir o que leva alguém a se preocupar com documento, dinheiro,  laptop ou qualquer objeto levado na bagagem de mão em um instante em que a vida deveria ser a única preocupação. Um ação dessa, revela o altíssimo grau de materialismo, desinformação, egoísmo e, principalmente, irresponsabilidade de seres que deveriam ser humanos.

*Luiz Fara Monteiro é jornalista, estudante de aviação e setorista para assuntos aeronáuticos

REUTERS/Tatyana Makeyeva/06.05.2019 / R7

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