Mulheres dão motivos para apanhar.

Você já teve aquele ímpeto de bater em uma mulher por algum motivo? Qualquer um, pensa aí. Você mulher, já mediu seu comportamento para não apanhar de algum companheiro, familiar, conhecido ou desconhecido?
Essas são as duas questões básicas que devem nortear a relação homem/mulher na sociedade. E podemos ir além, a primeira questão também pode nortear a relação homem hetero e o restante da humanidade, porém isso fica pra próxima.
Esse texto terá uma abordagem bastante objetiva. Falemos da questão inicial, o homem que em algum momento bateu, poderia bater ou baterá em uma mulher. Ele poderia estar preso, talvez aproveitando o tempo para aprofundar seus conceitos de motivos para bater/motivos para apanhar.
E a mulher nessa situação provocada por ela mesma? A mulher que disse não pra algum cara, que recusou-se a transar, beijar, vestir-se como ele achou apropriado, que simplesmente serviu como saco de pancadas porque o homem estava estressado ou sobrecarregado, a mulher que de alguma maneira não estava dentro do que era esperado por esse sujeito e sofreu agressões físicas ou verbais. Essa mulher provavelmente não teve orientação, acesso à informação ou apoio para saber como reagir, e pode até ter pensado que realmente provocou e até mesmo mereceu tal agressão (não, você não provocou nada, você é a vítima, e fique certa de que nenhuma atitude sua justificaria agressões ou abusos).
As mulheres devem saber que seu único erro é se calar. Desde o nascimento as meninas foram (muitas ainda são. Lamentável) ensinadas como sentar, ensinadas a não se tocar, não conhecer o próprio corpo, não falar palavrão, não “provocar”, a aceitar e entender os comportamentos invasivos e agressivos dos homens. Foram ensinadas com base em um pesado livro sobre machismo, encoberto por “comportamento que se espera de uma mulher”.
Esse comportamento esperado não existe. Mulheres podem usar as roupas que quiserem, ter a profissão que desejarem. Não, as mulheres não têm que necessariamente terem filhos, muito menos decidirem ou serem influenciadas a buscar por profissões não masculinas (“profissões masculinas”, essa classificação é realmente ridícula).
São muitos os direitos básicos pelos quais as mulheres ainda precisam lutar, mas temos força e inteligência pra isso. Com a facilidade de interação por meios digitais e uso de tecnologias as mulheres têm, cada dia mais, união para discutirem sobre comportamento, direitos e sociedade, tornando-se uma grande massa de defesa e apoio mútuo.
Conceitos machistas e absurdos são, ainda, amplamente repetidos por muitas mulheres, contudo, isso acontece até mesmo inconscientemente ou por não terem real ciência de si mesmas e do poder que têm. O empoderamento das mulheres começou, ainda que tardio, e o papel de cada uma é fundamental para quebrar esse ciclo de violência e degradação da mulher. Não se calem.

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