Moradores da Grande SP desmentem Alckmin sobre ‘fim da crise hídrica’

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse segunda-feira que a crise hídrica em São Paulo acabou. No entanto, moradores do ABC não concordam com o chefe do Estado e relatam problemas com falta de água constante em São Bernardo e Santo André.

A reportagem teve conhecimento de pelo menos cinco bairros de Santo André que ainda enfrentam problemas de seca nas torneiras: Vilas Humaitá e Linda, Jardins Cristiane, Las Vegas e Milena.

“Todos os dias na parte da manhã não tem água. Por volta das 6h ainda tem. Quando dá umas 10h30 já  não tem mais nada. Tenho uma caixa de reserva, mas já fiquei sem água há pouco tempo quando ficou dois dias sem abastecimento. A reserva que eu tinha não deu para segurar tanto tempo”, afirma a dona de casa Cleide Pinto Teixeira dias, 48 anos, moradora do Jardim Milena.

O Semasa, responsável pela distribuição de água na cidade, informou que a Sabesp, que fornece 95% da água distribuída no município, diminuiu a vazão enviada ao município em julho de 2015, por conta da crise hídrica. Desde então, a cidade recebe uma média de 1.750 litros por segundo. O órgão municipal diz que  a necessidade de Santo André é de 2.000 litros por segundo.

Segundo o Semasa, a Sabesp aumentou o envio de água no último mês, mas a vazão não é linear durante as 24 horas do dia. Nos horários de maior consumo, o envio da água, na maioria das vezes, está abaixo do acordado, de acordo com a autarquia municipal.

“Mesmo após o governo do Estado anunciar o fim da crise hídrica, Santo André ainda apresenta falta d’água, especialmente em pontos mais altos e distantes da rede de distribuição”, diz nota enviada pelo Semasa.

São Bernardo

Em São Bernardo, moradores da Vila São Pedro reclamam que chegaram a ficar dois dias sem água na semana passada. As falhas no serviço são constantes, segundo eles. “Ainda estamos com problemas de falta de água aqui”, diz a dona de casa Maria Aparecida Bezerra, de 45 anos.  

Envio de água tem sido ampliado, diz Sabesp

A Sabesp diz que, “com o fim da crise hídrica”, a companhia tem ampliado gradativamente o envio de água para todos os clientes. Em Santo André, a estatal diz que o volume fornecido passou de 1.710  para 1.870 litros por segundo.

Em São Bernardo, a companhia diz que a redução de pressão continua, mas voltaram aos estabelecidos antes da crise hídrica, durante o período noturno.

A companhia informou que as multas e bônus para quem consome mais e menos água do que a média mensal serão mantidas até haver “momento oportuno para descontinuá-los.”

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