Mega traficante de armas foge de presídio no RJ com alvará falso

João Felipe Barbieri, um dos maiores traficantes de armas do mundo, que estava preso em uma cadeia na cidade do Rio de Janeiro, saiu da prisão utilizando um alvará de soltura falso. O alvará  foi emitido por email em função da pandemia do coronavírus e as com que o traficantede armas deixasse o complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio , pela porta da frente.
O caso aconteceu na tarde de 18 de novembro de 2020 e foi descoberto essa semana.
O MPF (Ministério Público Federal), que instaurou inquérito, não descarta o envolvimento de servidores públicos na trama para a fuga.
Filho de Frederick Barbieri, preso nos Estados Unidos e conhecido como “Senhor das Armas”, João Filipe foi condenado a 27 anos de prisão , acusado de integrar uma quadrilha de tráfico internacional de armas e que seria responsável pelo envio de cerca de mil fuzis ao Brasil.
Um mês antes da fuga de João Felipe, outro condenado integrante  da mesma quadrilha, João Victor Silva Rosa, também condenado, deixou o presídio usando o mesmo procedimento fraudulento.
Segundo informações da Seap (Secretaria de Administração Penitenciária), responsável pela gestão do sistema prisional no Rio, o processo de soltura adotado em razão da pandemia facilitou a fuga, uma vez que que todo o trâmite foi feito por email enviado por um suspeito que se identificou como oficial de justiça.
O procurador Eduardo Benones, encarregado do MPF na investigação, disse acreditar na possibilidade de participação de agentes públicos na fuga. Eduardo declarou que  também entende que a emissão de alvarás de soltura por email durante a pandemia facilitou a ação da quadrilha.
“Mas a emissão de alvarás por email não é desculpa. É muito difícil que não tenha ocorrido a participação criminosa de servidores públicos. Vamos agora investigar como se deu a confecção, elaboração e chegada desse documento falso à Seap” disse Eduardo Benones.
“A comunicação via email não ameniza em nada a gravidade dos fatos ou a responsabilidade de eventuais envolvidos. Mesmo porque o uso de meios eletrônicos tem ganhado cada vez mais espaço no serviço público”, complementou o procurador.
Cinco dias antes da fuga de João Filipe, o setor responsável pela entrada e saída de presos do complexo penitenciário, recebeu um email emitido por um homem que se apresentou como oficial de justiça. NO email, havia um ofício com assinatura falsa da juíza que estava de plantão naquele dia.
No dia da fuga, foi enviado novo email em nome da mesma juíza com pedido de suspensão imediata da execução da pena, ordenando que João Filipe fosse solto em até 24 horas. O preso então foi liberado pelo responsável pela entrada e saída de internos da penitenciária.
Em nota, a Seap disse que estabeleceu um novo protocolo de dupla checagem de documentos eletrônicos para evitar fraudes relacionadas ao envio de comunicações judiciais falsas e abriu sindicância interna para apurar os fatos e apontar responsabilidades.
A Justiça Federal expediu mandados de prisão para João Filipe e João Victor, que são considerados foragidos.

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