Líderes partidários fazem discursos contra e favor do impeachment

Líderes partidários fizeram discursos no plenário da Câmara, na manhã desta sexta-feira (15), a favor e contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Eles iniciaram os pronunciamentos após a fala do jurista Miguel Reale Júnior, autor do pedido de afastamento, e do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo.

A sessão desta sexta inaugura a análise do impeachment pela Câmara. Haverá debates e pronunciamentos até o domingo (16), quando está marcada a votação. Em todas as sessões será concedido tempo para discurso de lideranças partidárias- que varia de 3 a 10 minutos, conforme o tamanho das bancadas.

PT
O primeiro deputado a discursar usando o tempo de liderança foi Zé Geraldo (PT-PA), que defendeu o arquivamento do processo de impeachment.

“Que vergonha, juventude brasileira, professores brasileiros, trabalhadores brasileiros. Nós aqui julgando o impeachment instalado pelo presidente Eduardo Cunha, que tentou nos chantagear no Conselho de Ética. Ele instalou o processo de impeachment por vingança. É com orgulho que digo: serei contra o impeachment”, disse.

DEM
O líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), afirmou que Dilma “mentiu” para os brasileiros e defendeu que ela seja punida com a perda do cargo.

“A presidente Dilma mentiu para o povo, mentiu para uma nação inteira e, agora, só nos resta fazer justiça e a solução só pode ser uma: o impeachment da presidente Dilma Rousseff”, afirmou.

PDT
O líder do PDT, Weverton Rocha (MA),se pronunciou contra o impeachment. “Uma coisa é certa. Sabemos a importância desse debate. O PDT está convencido de que a solução não é destituir um presidente eleito de forma democrática, pelo voto.”

Solidariedade
O deputado Augusto Coutinho (SD-PE) defendeu o impeachment. Ele ressaltou que o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou irregularidades nas pedaladas fiscais e deu parecer pela rejeição das contas de 2014 de Dilma.

“Esse processo de impeachment foi julgado pelo TCU e vale salientar que uma boa parte do TCU foi indicada pelo PT. Esse governo vai acabar e está acabando perante os brasileiros e a opinião pública”, declarou.

PC do B
O deputado Daniel Almeida (PC do B-BA) foi destacado para discursar em nome do PC do B. Ele defendeu o arquivamento do processo de afastamento da presidente.

“Não existe crime que justifique o acatamento desse pedido de impeachment”, afirmou o deputado.

PSOL
Pelo PSOL, discursou o deputado Ivan Valente (SP), líder do partido. Ele questionou a legitimidade de um processo comandado por Eduardo Cunha, que é alvo da Operação Lava Jato.

“Temos um réu comandando uma farsa e, pior, está livre, leve e, pior, solto, comandando uma farsa”, afirmou.

PHS
O deputado Diego Garcia (PHS-PR) apontou problemas no país e disse que essa era a “oportunidade de virar o jogo”. “É preciso que os parlamentares estejam unidos para que isso de verdade possa acontecer para que mudanças reais possam acontecer. O povo quer, sim, que esse processo avance nesta Casa”, disse.

PSB
Em nome do PSB, o deputado Paulo Foletto (ES) ficou os primeiros dez segundos do seu tempo em silêncio, representando, segundo ele, “a economia brasileira que caminha para a morte”.

“Com tristeza, vamos ter que tirar essa presidente”, afirmou.

PPS
O tempo de liderança do PPS foi usado pelo deputado Alex Manente (PPS-SP), que afirmou identificar que os requisitos constitucionais para o impeachment “são altamente fortes”.

“A sociedade brasileira está aguardando um recomeço para o nosso país”, disse.

PP
O deputado Dilceu Sperafico (PP-PR) afirmou que a “melhor solução” para a crise política e econômica é a saída de Dilma do Planalto. “Nossa decisão é de apoiar o impeachment contra a presidente. Estou satisfeito de falar aqui para dizer para toda a sociedade que a melhor solução é um novo governo. O governo que está aí já não existe mais. É um governo que está só se preocupando com a manutenção do poder”, afirmou.

Também pelo PP, o deputado Renato Molling (RS) criticou as políticas econômicas da gestão PT e disse que era preciso um novo governo que tivesse “credibilidade” e soubesse “negociar com os outros países”.

PTB
O deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS) também se mostrou a favor da abertura do processo de impeachment por entender que foi descumprida a legislação e que a votação no domingo contará com o apoio dele.

“A configuração dos crimes advém da Constituição”, afirmou.

PSC
O deputado Takayama (PSC-PR) defendeu o impeachment disse que o PT faz “tudo o que” criticava antes.

“Anos atrás me encantei com um discurso da esquerda que, no seu discurso da moralidade, combatia tudo o que faz hoje. Sou a favor do impeachment dessa pessoa que destruiu a nação brasileira. É um governo que não sabe gerenciar, está gerando desemprego. Golpe é o que este governo está fazendo acabando com a nação brasileira”, disse.

Governo
O líder do governo, José Guimarães (PT-CE), classificou o processo de afastamento de Dilma de “golpe” e “maldade”. “Por que temos que derrotar o golpe? Por que não tem causa, não tem fundamento. […] Temos que discutir outra saída para o Brasil. Não podemos enveredar pelo caminho da maldade que tem um único objetivo, de punir a presidente Dilma”.

Guimarães afirmou ainda que falta de popularidade não é motivo para cassar mandato e citou governadores que hoje enfrentam dificuldades. “Esse impeachment não tem outro nome que não seja golpe de Estado”, declarou.

PSDB
O líder do PSDB, Antonio Imbassahy (BA), argumentou que o impeachment é o “remédio jurídico” para a situação do país. Lembrou ainda que o PT que hoje acusa a oposição de levar adiante um “golpe” contra o governo é o mesmo partido que apoio “mais de 50 pedidos de impeachment” contra os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco e Fernando Collor. “Apesar da insistência dos seus defensores, a legalidade do processo está assegurada pelo Supremo Tribunal Federal”, disse.

O deputado Bruno Covas (PSDB-SP) afirmou que Dilma não pode ser vista como “coitada, que não sabia de nada”. “Não me venha dizer que ela é uma coitada, que não sabia de nada, porque foi ela que autorizou a compra de Pasadena e que mandou o Lula usar o ato de nomeação no caso de necessidade”, disse.

PV
Em nome do PV, o deputado Evandro Gussi (SP) comparou o governo Dilma com o ex-líder russo Lênin, a quem chamou de “totalitário” e “sanguinário”. “Há uma frase atribuída a Lênin que diz: ‘Acuse-os do que você faz e chame-os do que você é’. Essa frase me parece desenhada para o momento atual.

“Esse pensamento de Lênin, um líder totalitário, sanguinário, cujas estátuas foram derrubadas no leste da Europa, mas foram reerguidas no Brasil. Esse hoje é o pensamento que orienta o governo e o seu séquito”, afirmou.

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