“Fase Emergencial” da quarentena não traz mudanças no transporte público que continua superlotado

No primeiro dia de vigência da fase emergencial da quarentena, fase com endurecimento das medidas restritivas já adotadas adotadas na fase vermelha, algumas coisas mudaram para conter a disseminação da Covid-19. Algumas , mas o que não mudou foi a lotação dos sistemas de transporte público na cidade de São Paulo.
Nesta segunda-feira (15), trabalhadores madrugaram no extremo leste de São Paulo, e enfrentaram a superlotação no transporte público para se dirigirem ao centro e demais regiões da capital paulista.
O bairro de Itaquera, que tem um terminal de ônibus e uma estação interligada entre a CPTM e o Metrô, amanheceu no primeiro dia da fase emergencial do Plano São Paulo, com ônibus e vagões lotados. Nas estações Brás e Luz, na região central, pontos de baldeação, também havia superlotação e aglomeração.
Idosos, adultos, jovens e crianças, usavam máscaras no rosto e passavam álcool em gel nas mãos, mas se espremiam aglomerados nos coletivos e vagões com ar-condicionado e janelas lacradas.
O semblante das pessoas era de preocupação e até pânico de estar ali, mas, sem auxílio e segurança financeira, a população se arrisca para trabalhar e levar o sustento para suas famílias.
A ideia do governo estadual, que sugeriu horários diferentes de entrada de funcionários de atividades essenciais, da indústria, serviço e comércio, para tentar desafogar o transporte público, não surtiu efeito e sequer foi adotada. E sem fiscalização das autoridades, apesar de apenas esses serviços essenciais terem permissão de funcionar até 30 de março, com restrições, ainda há trabalhos, sobretudo os informais, funcionando a todo vapor.
O funcionário de um mercado, Márcio Alves Cavalcanti, 41, que se desloca diariamente do extremo leste da cidade até a região central, onde trabalha, disse que o trem nos últimos dias continua lotado, sem praticamente nenhuma mudança na ocupação e na movimentação. “Não vi queda de passageiro. A movimentação continua praticamente normal. Na pandemia do ano passado, entre abril, maio e junho, estava bem melhor o fluxo”, afirmou Márcio.
O trabalhador relatou que, dentro do mercado onde trabalha, há distanciamento e higienização constante. Porém, ele não consegue escapar e evitar a aglomeração no transporte público, à caminho do serviço. “A gente tenta manter a maior distância possível, mas é impossível por causa do movimento e quantidade de pessoas”, afirmou.
Esse é o retrato das condições cotidianas enfrentadas pelos trabalhadores de todas as regiões da cidade de São Paulo e das cidades da Grande São Paulo. Pessoas que precisam trabalhar, precisam preservar seus empregos e garantir a subsistência própria e de suas famílias.
Existe o medo de contaminação, mas não há escolha para a esmagadora maioria dos trabalhadores, que obrigatoriamente tem que se arriscar todos os dias no superlotado transporte público coletivo da cidade.
“A gente tem medo de se contaminar e levar o vírus para casa, colocando nossos pais e nossos filhos em risco. Mas se não sairmos para trabalhar, quem vai pagar as nossas contas e colocar comida nas nossas mesas?” declarou Juliana Rodrigues, 36 , assistente administrativo.
A fase emergencial decretada pelo Governo de  São Paulo vai até dia 30 de março pode ser prorrogada, caso não diminuam os casos de contaminação pela Covid-19, e sobretudo caso não haja um respiro para o sistema de saúde no estado, com a diminuição da ocupação dos leitos hospitalares atingindo para atendimento de pacientes da Covid-19.

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