Crítica | A Passageira – Anderson Montezzo

Depois de ser lançado em 2014, e ganhar o Festival de Havana, no ano passado, e ser indicado ao Prêmio Goya esse ano, o drama peruano do ator Salvador del Solar, que estreia tanto como roteirista, quanto diretor, finalmente chega aos cinemas no Brasil.

O ator mexicano Damián Alcázar, que ficou conhecido por séries de TV como Narcos e Kdabra, encarna o personagem de Harvey Magallanes, um ex-militar da ditadura, que trabalhava como soldado em Ayacucho, e agora é um taxista na cidade de Lima, no Peru. Ele reencontra uma figura de seu passado tortuoso, Celina (Magaly Solier), que foi abusada e mantida em cárcere privado pelo coronel responsável em Ayacucho, agora um homem amargurado e preso a uma cadeira de rodas, interpretado por Federico Luppi. Na tentativa de se redimir por seus erros, Magallanes participa de um plano para conseguir dinheiro para Celina e seu filho.

Militares e ex-militares são representados como boçais durante o filme, retratando justamente as atitudes inexplicáveis realizadas durante a ditadura peruana, porém o personagem de Magallanes, durante grande parte do filme, é mais retratado como um bobo apaixonado por Celina, comprometendo suas ações no filme e deixa essa relação de Celina e Magallanes um pouco forçada, já que ele nunca se lembrou da moça durante todos esses anos.

Contém uma fotografia muito bonita, com um excelente uso da iluminação e das sombras, excelentes atuações, com destaque para Magaly Solier, uma atriz que não me era familiar, mas protagoniza a cena mais emocionante do filme, além do ótimo uso do som, muito minucioso, e com uma trilha sonora que se adequa perfeitamente ao filme, e seus momentos de tristeza.

Apesar de alguns deslizes, o filme de Salvador del Solar tem mais acertos do que erros, e deve sim ser assistido, ainda mais porque não é sempre que se lança um longa-metragem peruano por aqui, já que o mercado do Peru é muito menor que o brasileiro, mas tem muita qualidade e deve ser apoiado.

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