Crianças alérgicas ao leite de vaca têm mais problemas de desenvolvimento

Crianças alérgicas ao leite de vaca têm mais problemas de desenvolvimento

As diferenças de crescimento são mais pronunciadas entre crianças em idade escolar

 Crianças que sofrem com alergias persistentes ao leite de vaca podem crescer menos e atingir menos peso, durante a pré-adolescência, quando comparadas com as que são alérgicas a amendoim ou a nozes, de acordo com uma revisão retrospectiva, apresentada no dia 4 de março de 2018, durante a Conferência Conjunta de Asma e Imunologia da Academia Americana de Alergia e da Organização Mundial de Alergia.

“A relação entre as alergias alimentares e os padrões de crescimento na infância é complexa. Temos uma compreensão incompleta sobre a influência que as alergias alimentares têm sobre o desenvolvimento das crianças. O presente estudo começa a preencher essa lacuna, mas são necessários estudos mais aprofundados, especialmente quando as crianças entram na adolescência, para avaliar se esses déficits de crescimento são transitórios ou duradouros”, afirma o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).

 Entre 6-8% das crianças nos EUA sofrem de alguma alergia alimentar, de acordo com a Academia Americana de Alergia. Oito grupos de alimentos são responsáveis por 90% das reações alérgicas graves, incluindo leite, ovos, peixes, crustáceos, trigo, soja, amendoim e nozes, segundos dados dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças. A alergia ao leite de vaca, em particular, pode excluir uma grande variedade de alimentos da dieta da criança, durante a primeira infância, época em que estão em crescimento.

 Segundo os autores da pesquisa, há um contínuo risco de déficit de altura e peso entre crianças com alergias alimentares e as crianças alérgicas ao leite de vaca estão em maior risco. “Além de não consumirem leite de vaca em sua dieta, a alergia restringe severamente uma grande variedade de itens alimentares para crianças em crescimento. Essas crianças também frequentemente têm alergias a outros alimentos”, afirma o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).

 Para avaliar como as alergias alimentares específicas afetam a altura e o peso das crianças, a equipe do estudo realizou uma revisão longitudinal do quadro de crescimento de 191 crianças. Para serem incluídas no estudo, as crianças tiveram que fazer pelo menos uma visita clínica, a partir do momento em que tinham entre 2 a 4, 5 a 8 e 9 a 12 anos, idades que vão desde a infância até a pré-adolescência. Em cada visita clínica, a equipe de pesquisa registrou peso, altura, comorbidades, como asma, eczema e alergias sazonais, e o uso de corticosteroides inalados.

 Eles calcularam as diferenças médias nas pontuações de altura, peso e índice de massa corporal (IMC), que atuam como o percentil que as crianças e os pais conhecem durante as consultas infantis, comparando valores entre o que é normal em crianças da mesma idade e gênero e na população em geral.

 “Crianças que são alérgicas ao leite de vaca apresentaram menor peso e altura médias quando comparadas com crianças que são alérgicas a amendoim e a nozes. Este déficit de crescimento permanece proeminente nas faixas etárias de 5 a 8 anos e de 9 a 12 anos”, informa o pediatra.

 Uma pesquisa futura explorará se as crianças mais velhas, com alergia ao leite de vaca, conseguem superar essa diferença na altura, durante a adolescência, ou se as diferenças de crescimento persistirão durante a vida.

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