Cemitério da Consolação tem focos da dengue em meio a túmulos famosos

No cemitério da Consolação, túmulos históricos como o de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Monteiro Lobato dividem espaço com focos de reprodução do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e do vírus da zika. Em uma caminhada de meia hora (veja vídeo acima), a reportagem do G1 encontrou ao menos 10 pontos de água parada.

Nesta segunda-feira (29), a Supervisão de Vigilância em Saúde (Suvis), vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, esteve no cemitério, “onde foram encontradas dezenas de focos de dengue em floreiras, castiçais e em sacos de lixo”, informou a pasta. Todos os focos encontrados receberam larvicida para matar as larvas.

Neste cemitério, o problema não são vasos de flores, e sim adornos dos próprios túmulos, que vazios funcionam como recipientes de água. O local também tem covas abertas e destampadas, que podem se tornar criadouros do mosquito.

O Centro é a região que teve o menor número de casos de dengue na cidade em janeiro: 45. Ainda assim, comparando com janeiro do ano passado, com 17 ocorrências, houve um aumento de 164%.

O mecânico José Menino de Lima tem uma loja em frente ao cemitério e disse que este ano ele e mais três funcionários tiveram suspeita de dengue. José acha que contraiu a doença no trabalho, “fico aqui de sete às sete”. “A Prefeitura já passou aqui, vistoriou. Falta ir lá dentro [aponta para cemitério], no foco, vão achar muita coisa”.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que “quinzenalmente, agentes de endemias vistoriam o local em busca de focos do mosquito. Os agentes eliminam os possíveis focos e orientam os funcionários do cemitério”. Uma das orientações nesta segunda foi para a a utilização de areia nos recipientes fixos existentes nos jazigos. A administração do cemitério, por sua vez, disse que há resistência das famílias em utilizar areia nas floreiras e castiçais.

1ª morte por dengue
A Prefeitura de São Paulo confirmou nesta sexta-feira (26) a primeira morte por dengue na cidade em 2016. A vítima foi um homem de 62 anos, que morava na região do Tremembé, na Zona Norte, com histórico de tabagismo e problemas cardíacos. Ele morreu no dia 19 de janeiro deste ano.

A sorologia foi confirmada por testes laboratoriais feitas pela Secretaria e pelo Instituto Adolfo Lutz. A pasta ainda afirma que a Coordenação de Vigilância em Saúde já realizou bloqueio de criadouros no local desde a data da suspeita do caso.

Números
A cidade de São Paulo registrou 827 casos confirmados de dengue até 31 de janeiro, contra 710 contabilizados no mesmo período em 2015. O aumento foi de 16,5%. A Zona Leste lidera o número de casos na cidade.

“Todos os fatores de risco levam a termos mais casos do que em 2015”, disse Padilha. O secretário citou a falta d’água na periferia, a forte resistência do mosquito, calor e existência de criadouros como principais agravantes.

Fonte: Cemitério da Consolação tem focos da dengue em meio a túmulos famosos

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