Aquarius | Crítica – Anderson Domingos

Depois de mais de 3 anos da produção de seu último longa, O Som ao Redor, o diretor Kléber Mendonça Filho volta com outra obra-prima do cinema brasileiro.

O aclamado filme, indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes, conta a história de Clara (Sônia Braga), uma moradora de um antigo prédio, localizado a beira mar em Recife, lugar onde ela viveu quase toda sua vida e criou seus filhos. Porém ela recebe a visita de Diego (Humberto Carrão), um jovem engenheiro em seu primeiro trabalho, que tenta convencer a senhora a vender seu apartamento para a construtora em que trabalha, e no lugar construir um prédio mais moderno, que se adeque aos padrões sociais da região.

O filme trabalha com pequenas sutilezas, como um olhar, um jogo de câmera, para que você vá descobrindo a história à medida que ela vai sendo contada, e que ela não seja apenas entregue a você. Mostra as desigualdades sociais da capital Recife, e o quanto as pessoas se apegam mais ao dinheiro e poder, do que memórias e sentimentos, e é justamente isso que torna esse filme tão atual.

Com relação a parte técnica, não tenho do que reclamar. O som que foi tão bem trabalhado em seu último longa, volta com esplendor, em conjunto com uma trilha sonora muito emocionante, de arrepiar qualquer um. A fotografia foi uma das coisas que mais me chocaram assistindo ao filme, pois ela tem um toque um pouco retrô, repleta de “zoom- ins” na face dos personagens, dando mais importância ao que está sendo mostrado e não dito, e quando se tem uma atriz como Sônia Braga entre as protagonistas, sempre que você enfatizar o trabalho dos atores você vai se dar bem.

Aquarius mostra para o mundo, a força que o cinema brasileiro tem tanto em técnica, quanto em história e que um filme com uma narrativa tão atual e autoral pode fazer sucesso de público por aqui também.

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